janeiro 15, 2005

A Culpa

No balanço letal, entre o calor invisível e o paladar adocicado por gotas fiéis de um cúmplice que aguarda no fundo de um copo de cristal, pretendem-se carícias e agulhas. As que marcam na pele o segredo dos vencedores. Subjugando um grito, percorro o olhar pelas heranças e despojos de um tempo ausente. Fixo um veludo esverdeado e encaminho dentro de mim, o infinito apetite por coisas mortais, gastas perante a poeira e apetecíveis quando o deleite se profetiza.

É tarde. À lua, suam encantos e texturas. Provoca-se a vontade de muito mais e canibaliza-se a paixão. Está aberta a porta sagrada do limite. Sem olhar o rasto dos passos de quem me precedeu, entro no salão, vasto de sonoros gemidos e apneias esmeraldas, embaraçando o dote que julguei correcto. É tarde. Ajoelho a humildade que se esvai em segundos. E vociferando urros bestiais, entrego-me à orgia. Sem mágoa, sem pertença ou perigo, cativo o estranho poder que atravessa as almas e destrói os muros altos do prazer. Sou um só. Eles, serão mil.

ao som de Ophelia´s Dream "Fairy Dance"

Sem comentários: