janeiro 20, 2005

De súbito

Pelo mar, na areia clara que recebe o momento da onda, dentro de um luar de encomenda, o exorcismo completa a ansiedade. Foi esta sensação que me marcou a espera. A espera de metade da noite mal dormida. Descobri a almofada suada mas não consegui lembrar o sonho. E por isso, quis ficar longe do quarto. Vagueei nos corredores, entre a obsessão do roupeiro e a dádiva de um pequeno-almoço madrugador. Sentia-me sem forças, com os destinos à deriva pelo nevoeiro lá fora. Quando dei pelo copo da noite passada, bebi o que restava. O sabor já não era o mesmo. Em cima da mesa, o isqueiro, o relógio e a caneta. No chão, o telefone e o casaco. Por detrás das cortinas a luz de um dia. E na penumbra, sentei-me no sofá do costume e olhei uma vez mais o piano. Foi talvez este último pormenor, que me recordou a minha condição de fantasma.

ao som de Jay Jay Johanson "Automatic Lover"

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