janeiro 18, 2005

Granada

Nos mistérios e nas canções, existe sempre uma pausa que sabe a começo. E porque sei este segredo, posso adiar as conclusões. Talvez por isso, ou até talvez por nada, procurei o gorro cor de laranja com flores amarelas e brancas e uso-o sempre que quero. E se me dá prazer, só eu e ele sabemos porquê.
Hoje, penso em matrioskas e rubis de um vermelho impossível. Acho que condizem com a cor do meu coração. O que estou a usar agora. Lembro-me de um salão enorme, com um lustre descomunal que irradia luz para os cantos e cadeiras vazias. Espera-se a multidão. Eu, sentado na cadeira que me convidou, aproveito a bonança e deixo que o salão me mime. Sorrio e sinto-me cúmplice. Como nunca senti. Lembro-me desse salão. E da pausa antes da tempestade, lembro-me de um sol, elíptico.
O gorro ainda está aqui. Comigo.

ao som de Leningrad Cowboys "Knockin´On Heaven´s Door"

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