janeiro 21, 2005

Às 11, no mesmo sol

A menina vivia num filamento pintado de cores muito vivas. Sorria a todos os mares que passavam. Deixava-se ficar por ali, pela beira da rua pintada de amarelo claro e alguns brancos, invejada por todos os cinzentos. De cabelo solto, dedos despertos, imaginava as outras ruas e as outras cores. Fazia-lhes perguntas, todas as que já sabia a resposta. Baixinho, pedia aos gatos que a guardavam um pouco do sol das 11 horas. Os gatos olhavam-na, encostavam-se uns nos outros e sabiam o que ele queria. Quando ninguém estava a olhar, esvoaçava um bocadinho. Só um nada. Se alguém surgia na esquina, esticava as pernas e voltava a tocar o passeio. Todas as pessoas, mesmo as que a pressa não deixava ver, sentiam o perfume a flores de manhã que a menina possuía. E durante todo o dia, todas as pessoas, mesmo as que a pressa não deixava ver, sorriam por um instante sem saber porquê.

ao som de Organic Audio "Always the Sun"

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