fevereiro 21, 2005

Ícaro num dia de chuva

Precipitas querelas de amantes e intriguistas, numa sopa de lentilhas louras, aquecida num bico de Bunsen regular. Realizas os sonhos dos ateus entre as câmaras 1 e 3, desligando a 2 por conveniências múltiplas. Suas, aquecido por decisões ímpias, alagado na saliva dos notáveis. Dormes no oposto e na vantagem, sentes o perigo das rachas na parede, multiplicas os cifrões sem tempo para os gastar. Ginasticas o empenho e a carne, dobras os cabos das tormentas alheias, significas muito pouco para o conselho de administração. Tens família, mas só no notário. Divides os amigos pelas garrafas de álcool, nos sentimentos de elos escancarados, nas paixões de minuto, na velhice. Gargalhas, lacrimejas, terminas os nós por atar. Encaras o sucesso como mortalha e inventas todas as letras do teu alfabeto. Morres na insistência, analfabeto por vocação, vazio, entretido no porém e no vocábulo. És esquecido. E cambaleias a existência.

ao som de The Cure "A Forest (Original 12 inch)"

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