fevereiro 14, 2005

Na caixa com os bichos da seda

...Gosto de comas de sete segundos. Confortam a alma. Quando há alma...

As palavras, as interrogações, os lados errados da culpa e do exílio, provocam as mesuras do remorso. Imaginando o centro estático de um crime, a poça de sangue que teima em aumentar, o estalido da patilha de segurança da arma que retorna a pacatez, a espera por qualquer coisa depois, o embaraço de mais um funeral e de um caixão forrado a lilás. Estas são as variáveis. Ou melhor, os coeficientes a usar e deitar fora. O que fica, depois das operações e dos cálculos, a seguir das contagens e das conferências, além da vergonha, é a ímpia vontade por mais vítimas. E o passatempo, o derradeiro gozo, é recusar pretendentes por motivos idiotas. Rebuscam-se ruas a pente fino, observam-se mesas de café e poltronas de colóquios, mandam-se despir prostitutas e pederastas, esvaziam-se lojas de brinquedos e queimam-se bonecas animadas, insufladas a água salgada e cocaína orgânica, recontam-se os votos de qualquer eleição de esquina, violam-se as bagageiras dos carros estacionados em segunda fila, inventam-se palavras em desordem para manifestações silenciosas. Abre-se a comporta de gaz e sufoca-se devagarinho. Morre-se em fatias.

Sete segundos? Ofereço 17... Vendido!

ao som de Carpathian Forest "A Forest"

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