março 15, 2005

Quase sem querer

Azuis e verdes em vermelho vivo,
com destino marcado,
redondo,
multiplicado por mil ou outro número qualquer.

Um lilás de tarde,
onde um cinzento não é cor,
onde se precipitam as adivinhas açucaradas,
crocantes na surpresa
e na chegada.

Pintar um lilás moderno,
enquanto o pássaro pousa no portão de ferro,
à hora do chá,
no pátio das folhas de Outono
em emaranhados infantis de alguma vez.

Onde os besouros vão acabar o dia,
na tranquilidade da senhora.
A senhora das meias negras,
da boquilha de prata,
da gargalhada sumida,
do anel de faz de conta.

A ternura,
a de sempre,
de um tempo de avós e mel,
onde a frescura se faz
e se ensina.
Onde o beijo não tem lugar,
por noctívago,
por indiferente.

Com as mãos em labirinto,
em novelos desordenados
de cores fundamentais,
a espera toma o sabor da areia depois do vento.

E o lugar,
o que ficou para o fim,
é azul
e verde
e vermelho redondo de céu azul.
Porque as cores só valem por um dia.
Amanhã,
já serão outras.

ao som de Craig Armstrong "Della´s Theme"

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