maio 20, 2005

5 e meia da manhã, sob o temporal

Sem horas desfeitas
nem minutos perdidos,
conto histórias de pessoas,
de amores
amanhecidos pela ausência de vento,
sós
nas horas de neblina
e pó de arroz.

Na voz enrouquecida
de um jardim em repouso,
um suspiro
é o bastante.
Procuram-se nas mãos,
os esquecimentos de praia,
os degraus do museu,
a vaga suspeita de quem se apaixona num repente.
Mordisca-se uma maçã
num apetite que tarda em regressar,
ouvem-se canções de embalar
com os olhos muito abertos,
onde sorver é razão.

Nos horizontes
guardados no bolso,
estão as fraquezas,
os beijos intermináveis,
os verbos conjugados em suor.
O colchão ficou perdido,
nas ruínas de uma casa que caminha em paz.
A luz do candeeiro de rua,
já não sabe acender.
A lentidão dos dias sem azul,
a esquina que perdeu a memória,
o cheiro de um bocado de noite,
a capa do disco que fala em armários e balas.

E depois dos calendários,
depois das fadas e dos editais,
à beira do rio
num segundo,
rimos longe um do outro,
mortos para o reencontro,
suaves para a sedução.

1 comentário:

Anónimo disse...

Angustia ao Jantar

Já o Natal se havia esvanecido
na memória de noite sorridentes
O Inverno agora adormecido
deixára a porta como dantes,
aberta para receber num abraço
o amigo teimoso na ausência
A Primavera abrira o espaço
eis que ele aparecia.
Mesmo sabendo que não me diz tudo
o Amigo Pródigo fála de um tempo,
recorda um espaço e eu fico mudo
Por entre imagens e ideais
saltam-me à vista sinais de pobreza
sinais de tempos teimosamente reais
e eu sinto tristeza.

Um abraço ao povo Cubano

FF