março 23, 2006

Nem sim nem não

Depois da hora que encerra a noite, volto-me na cama sem encontrar nem o espelho, nem a alma. Acendo a luz e antes de voltar a reconhecer o qaurto, recordo-lhe os contornos e as arestas. Do frio já só sinto as primeiras meias horas, embalado que estou nas histórias e recordações de peles que convidam a entrega. Já revolvi todas as gavetas e continuo sem as encontrar. Resta-me o isqueiro e pequenos pedaços de vícios sortidos, compras em lojas que já nem existem, em ruas onde não passo porque me esqueci. Tenho na boca o sabor ao contrário. Se calhar por pisar os segredos em vez das palavras. E mesmo assim, se já as escrevi não as vou apagar. Por teimosia, por desleixo e por mentira. Adeus.

Ao som de OMD "Statues"

1 comentário:

Anónimo disse...

O teu espírito actual fez-me voltar 29 anos atrás e perceber que passaram 29 anos e que agora recuperar só na eternidade.
O Grande Ladrão

Caminhava lentamente, no meu percurso favorito, entre a Dores e a porta do pavilhão, nem eu sei qual o gozo deste percurso mas gosto dele, quando dou comigo a pensar no ladrão, mas qual ladrão? Existe no CD de Perales o meu ladrão de estimação, mas esse está velho já tem vinte anos de acção e desde aí não me roubou mais nada, excepto umas noites de sono.
O ladrão espreita e nós vítimas indefesas deixamos que o ladrão nos entre pela porta dentro. Uns roubam-nos o coração outros roubam as peças de colecção, mas existe o Grande Ladrão.
O Grande Ladrão, nome de guerra do meu Alex porque ladra alto, é um gajo porreiro desde que a gente não lhe aperte os calos. Mas existe um outro ladrão, o grande ladrão que não ladra mas morde, morde sem público e deixa no ar a suspeita com cara insuspeita. É esse o ladrão que eu não quero dentro de casa, porque esse grande ladrão rouba e não deixa pistas e se acossado é uma vítima de qualquer coisa.
Pois esse Grande Ladrão esteve no meu horizonte quando voltava do pavilhão, nessa caminhada florestal que tanto aprecio, mas que está marcada pela minha coragem e determinação. Terei eu essa mesma determinação para defender o percurso portão casa minha? E eu a pensar que esse ladrão podia ter feito, comigo, o percurso Dores pavilhão.
Não há pior cego do que aquele que não quer ver e que saudades eu tenho de quem soube por muros bem altos para que os Grandes Ladrões não lhe entrassem pela porta dentro.
Ao meu querido avô João Pires a quem tanto amo

Santiago do Cacém 26 de Março de 2006.