maio 13, 2006

Quarto número doze

É um daqueles inícios onde a tarde e a noite perdem as fronteiras e as ruas nunca são as indicadas nas placas. No andar de cima grita-se o atraso. O café é o de anteontem e os lençóis têm migalhas à vinte e um dias. Ao canto, o fato amarrotado que escurece o brilho de uma soirée de lotação esgotada. A gravata foi cortada em pedaços de ligadura, algures na semana passada. A tarde cai, solenemente, guardada pelas persianas corridas em jeito de luto. Uma laranja já seca faz de sentinela ao testamento que amarelece na gaveta da esquerda. Desde ontem que a sentença é oficial. Um de nós tem de morrer.

Ao som de Jacques Higelin "Champagne"

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