junho 28, 2006

Horas trocadas


Depois de sete horas de caminho, as ruas parecem-me rigorosamente parecidas. Nas paredes vazias e sujas, algumas janelas iluminadas têm a forma de um sofá velho, confortável nos fins de dia, onde o serão é açucarado e se possível lento. Nos prédios pintados com todos os tons de betão, as estrelas não estremecem e as luas não têm forma. Os gritos pretendem-se calados e os silêncios nunca são de ouro. Prolonga-se a noite e espera-se que a manhã demore a chegar. Os meninos são aconchegados nos cobertores e antes do corredor, um último olhar à respiração de criança, provoca um sorriso de outros tempos. A luz do abajour amarelecido é morna. A pausa antes dos derradeiros afazeres, esfria. Lá fora o vento ameaça.
Passo a passo, o passeio não quer terminar. A rua atravessa-se no meu caminho, por todas as sete horas de vadiagem rumo a qualquer avenida com nome de herói da guerra, onde os semáforos intermitentes são detonadores de suspiros. É tarde. No bolso apenas a chave do quarto de hotel, a carteira de fósforos meia vazia e os dois cigarros que ainda restam. No bar depois da estação ainda há luz. Puxo a gola do sobretudo para cima, olho em volta à procura de algo que me tenha escapado e atravesso a rua. São 2 horas da manhã, a neblina promete cair e o último comboio não trouxe ninguém. Está na hora da saudade.

Ao som de Borghesia "Ohm Sweet Ohm"

8 comentários:

Anónimo disse...

saudade?de quê ou de quem?

Anónimo disse...

De alguns minutos que têm o vício de falarem sempre verdade...

Von

Anónimo disse...

o vício é algo de perigoso, não se sabe quem controla o quê

Von disse...

O vício nunca é perigoso. O controle é quase sempre...

Von

macaso disse...

Respondo-te agora à tua questão com outra questão: queres pôr música no blog ou não consegues ouvir a minha música?

Anónimo disse...

Quero por o plugin para reproduzir música no blog.

Obrigado Macaso

Von

macaso disse...

Preciso do teu mail. Vai ao meu e deixa-me o teu.

Não tens de quê.

macaso disse...

Já tens o teu mail.