agosto 08, 2006

Já são sete horas?

Podia ser Outubro. Umas onze da noite, por qualquer motivo. Ou Novembro, às seis e meia tarde. Podia estar encostado ao segundo prédio depois da esquina, pé na parede e pé pisando um resto de uma folha cor de rosa, de à três dias e onze e meia da noite de encontro marcado. Podia ter o cigarro a meio, a vontade de acender outro sem acabar este, a sede de uma cerveja belga ou outra à escolha, um lugar sentado no primeiro autocarro de número primo que parar, ou uma lata de caviar e algumas tostas partilhadas nas escadas do metro com um sem abrigo húngaro. Podia ser a sessão da meia noite no cinema junto ao quartel, apenas porque me lembro de algo interessante. Podia ser quase amanhã, os carros estacionados só do lado direito, as árvores quase caladas e o caminho de volta a casa, depois de um serão com um casal de franceses que ainda se lembra do comboio a vapor. Podia ser quase Natal. E quando passasse pelo segundo prédio depois da esquina, via no chão um bocado de papel cor de rosa, as beatas de dois cigarros e a vontade irresistível de abraçar a primeira pessoa que passasse. Mesmo se fosse a pessoa certa.

Ao som de Tangerine Dream "Tangram set 1"

2 comentários:

aliança disse...

a pessoa certa?!!Não existe, a que existe é a pessoa que te acompanha, não a afastes...

Anónimo disse...

A pessoa certa na rua do segundo prédio é quem mais precisar do abraço. Perto do Natal, quem vive nas ruas dos segundos prédios, precisam sempre de saber o que é um abraço.
Afastar? Duplo engano. Afastar é a hipocrisia dos sorrisos quando se pensa sem sorriso. E afastar não é vocábulo nesta estrada.

Von