agosto 07, 2006

Paragem

Devagar. Muito devagar, um pé a seguir ao outro, ver a sombra mudar de carril e esperar que ninguém se mova nem que o céu caia no esquecimento. A electricidade parou e as margens estão muito quietas, quase sinceras. O telefone está esquecido no fundo de uma gaveta. Dorme com o passaporte do seu lado e o relógio parado à cabeceira. Devagar, muito devagar, a sombra dobra a esquina. Procura sinais de fumo ou outra desculpa qualquer. O pneu do camião continua furado como na véspera. E a véspera nunca foi ontem.
Devagar, muito devagar, a cidade sorri a si mesma. Tal e qual como num verso.

Ao som de GOL "No Bounds"

Sem comentários: