setembro 22, 2006

Dia 22

Se calhar a chuva da manhã tinha sabor. Bebi o café, o que me escorre o encolher de ombros e me liberta o sorriso, mesmo se o tenha guardado no porta luvas do carro. Olho a empregada nos olhos, corrijo-me e acendo a luz do resto da tarde, lembrando as pessoas pelos seus nomes e ouvindo os segredos dos miúdos. No relógio ainda sobram horas e planos para a semana seguinte. Na prateleira não encontrei o livro de versos. Desci a escada, olhei as revistas, sai e nem sequer deixei cair os olhos no passeio. É bom sinal. Os anos continuam arredondados, mas as arestas têm falhas cada vez mais suaves.

Ao som de Peter Ellis "Angel"

Sem comentários: