setembro 13, 2006

Esta, não é uma mensagem

Julgava que era sexta feira. Tinha metido um dia de férias para acabar com tudo de uma vez. Levantei-me às onze. Mais cedo seria traição. Calçei os ténis sem meias. Fui até à varanda, nu e fumei um cigarro. Voltei à sala e bebi um resto de café. Frio. Arrepiei-me. Não sei se foi o café. No quarto, vesti as calças e a camisa do costume. Saí à pressa, sem a chave de casa nem a estatueta. O elevador estava parado entre o terceiro e o vizinho de baixo. Encolhi os ombros e desci as escadas. Parei no segundo e encostei-me à parede. Tentei ouvir os gemidos. Não consegui. Devia estar a dormir. Junto à porta da rua, por debaixo das caixas do correio, um fulano, já velho, sentado no chão, observava fatias de pão. Depois escrevia qualquer coisa num pequeno bloco, dava uma dentada e deitava fora o resto. À quarta fatia, fui-me embora.
Na rua, os barulhos soluçavam à medida que me afastava. Antes de virar a esquina, olhei para trás e o prédio tinha ido na direcção oposta. Um de nós estava enganado.

Ao som de Baxter Dury "Cocaine Man"

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