setembro 04, 2006

Liquidez

Oito horas de sono. Mentira, foram cinco. A outras três, menos uns minutos, gastei-as numa meia consciência. Bebidas de marcas estranhas, cigarros sem filtro, risos de escárnio, outros nem por isso, jornais espalhados pela cama que estava feita. Na outra, os lençóis cheiram a suor. Nada de novo. Nas outras noites, tudo foi quase igual. Só mudam as caras e mesmo essas... De pé, junto à máquina do gelo, tudo parece sério e formal. Com a mão no bolso, sinto-me quase cidadão. Desses com direitos e cartões e referências de alguém que sempre os conhece de algum lado. A mim, há sempre alguém que me conhece de algum lado. Ou de lado. Ou pelas costas, que é a maneira mais eficiente de levar um tiro. E tiros, gostava de uma rajada de kalashnikov. Certinha, de cima para baixo, como um bom golo de cabeça. Durante um golinho de qualquer coisa escura. Debaixo de um neón. Crucial é pagar o assassino com antecedência. Detesto ficar a dever.

Ao som de Yello "Pinball Cha Cha"

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