setembro 16, 2006

Redondos

Quando se adia o mergulho e se espera a onda perfeita.
Quando o livro tem páginas a mais.
Quando o relógio não tem segundos às metades.
Quando te perdes e já é tarde.
Quando multiplicar provoca ciúme.
Quando não se pode regressar à partida.
Quando a fatia de melão é demasiado grande.
Quando a vela se derrete antes do beijo.
Quando julgas que a estrada termina junto ao mar.
Quando o portão está enferrujado.
Quando ainda é cedo.
Quando a semicolcheia se ri.
Quando há fim.

Ao som de The Bolshoi "Lindy´s Party"

1 comentário:

Anónimo disse...

Quando não dou tempo ao tempo, e ele é amotinado.
Quando devoro posts e esqueço as horas, e a noite se cola ao dia.
Quando guardo palavras como tesouros e as rapto para ficheiros secretos.
Quando sentenças que não são minhas passam a pertencer ao meu léxico.
Quando me escondo por detrás dos teus textos a jeito de espião dos quadros de Grão Vasco.
Quando quero ver tudo, saber tudo, e me falta um golpe de asa, mas mesmo assim não desisto, procuro novos ângulos de visão e neles pairo.
Quando ler surpreende, encanta, revela, comove e me centra.
Quando é assim vale a pena, vale muito a pena.
Maria João