outubro 13, 2006

Ámen duas vezes

As vinganças são bisturis coloridos, retalhando com dois mil cuidados o desalento de tardes de sol ou meias manhãs de chuva miudinha, onde os passeios desistem e os passos se repetem. Ao fundo da rua, junto aos restos de ontem, adormecendo o seu tédio, senta-se um deus em posição de espera, alumiando o reino que prefere privado. Não atende súplicas nem queixumes. Não oferece curas nem segreda sílabas doces. Observa, reduz o horizonte a instante e num esforço incapaz de conter a galáxia, mantém transparente a razão humana. É viciado no jogo, este deus urgente. Tomou como igual o ás de espadas e corrompe damas e valetes a seu contento. Cheira a vão de escada. É estéril. Afinal é filantropo .

Ao som de OMD "Statues"

Sem comentários: