outubro 09, 2006

Vista actual

Semelhanças de casos furtivos,
partilhando as ameias do muro do lado norte
e soprando fios de bruma
presos às mangas
e ao desgosto
das noites de hora marcada,
tossindo espasmos de prazer
em vez de um miar ronronado,
tela de mil sóis à noitinha
quando só se vêem sombras,
ceias iluminadas
e regressos tardios de compromissos inconfessáveis.
Em silêncio
e em fumo,
suspiro.

Depois da pausa,
reflicto.
Devagar.
Revolvo a areia com o pé
como quem procura ouro
ou apenas tempo.

Com os olhos no vale,
percorro os cruzamentos fechados pelo querer alheio.
Enterro-me na certeza de um aqui,
sem mais
nem outro lugar.

Depois da pausa,
renovo.
Sem pressa.
Revolvo a areia com o pé
e encontro.
Com os olhos no vale,
deixo-me aqui.

Ao som de Les Jumeaux "Empty Drama"

Sem comentários: