novembro 26, 2006

Aconchegadamente

No sustenido da berma
suspenso por cordéis de ilusionista
e indiferente aos tufos de chuva
que teimam em rolar de Este,
aproveito a essência de campos de cultivo
e desprezo a avenida.

Curandeiro de mim mesmo,
facilito-me o bisturi e a doutrina
num resvalo de incidências mínimas,
sorvendo em goles demorados
o chá das verdades proscritas.

Com as unhas sujas
pretendo formar opiniões de resgate,
perfurando a terra
com vagas mortalhas de amor.

Sentado,
murmurando restos de monólogo,
prevejo a árida vontade
de procurar onde adormecer.

É tarde.

No relógio, algures,
os minutos são de madeira,
lascas de ferimentos de outras guerras
sem segundos
onde descarregar as culpas.

Na torre,
o sino revolve a fome
em cantos de iluminura
e cortiça,
ciente de todas as bocas que demora a alimentar.

Perante o escurecer,
a aldeia regressa ao mundo dos vivos
entre lareiras
e arrepios de almas penadas,
visitas tardias
de vinho quente.

Prometem desassossego
e os dias seguintes.

Ao som de Godsmack "Serenity"

Sem comentários: