dezembro 24, 2006

Segunda parte

Virou à esquerda e atravessou a rua num bocado de asfalto seco de velhice. Sustenido por um ritmo constante, enfrentou os restos de multidão com pressa de calor. Seguiu em linha quase recta de uma geometria quebrada por algum individuo distraído ou entristecido por teimosias. Na esquina só olhou em frente e atravessou em diagnoal por entre o trânsito de autocarros de sentido único. No passeio, insistiu na direita e antes da farmácia esqueceu-se igreja e da mercearia. Caminhou no bocado de rua esvaziado por lojas que não existem, virou ao sabor dos prédios e ao longe viu as paragens cheias e as luzes das compras. Espaçou a passada como por medo da agitação. Na penúltima esquina virou à esquerda e fugiu da inquietude da multidão. Forçou o passo na subida e lembrou-se da loja de antigamente, no outro lado do passeio. Sorriu ao baldio que ainda existia e por entre alguns carros abandonados e outros que apenas esperam, apressou-se para o café entalado entre a descida e a subida, num pedaço de vale imaginário e mesas vazias da esplanada de Inverno. Porque raio não se teria lembrado deste lugar? Era perfeito como interrupção.

Pediu chá. De camomila. Tinha um sabor perdido que teimava reencontrar. Usaria o açucar? Esperaria alguém?

Ao som de GOL "No Bounds"

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