janeiro 10, 2007

Linhas paralelas

No tempo em que era menino, no meio de outros meninos gastava o tempo com risos e coisas assim. Cresci. Eu e os outros meninos. Esquecemos os risos e ficamos assustados, sempre que saímos e esbarramos com o nosso crescimento lá fora. Procuramos nos bolsos vazios, olhamos uns para os outros, perguntamos pelas moedas com que compraríamos o nosso destino e fixamos o chão, cientes de um preço demasiado caro a pagar. Um destino que de tão valioso, não soubemos avaliar. Retomamos o passo em direcção a algum sítio que não sabemos o nome, porque é um nome que não se pode saber. Sem confessar aos outros meninos, aos outros crescidos, sempre pensei que aquele dia nunca chegaria. Ficaria solto na prisão naquela manhã que um dia me encontrei, sob um sol amarelo, junto a uma esquina e a uma parede amarela, onde podia ficar a viver e a esperar todos os dias por uma droga qualquer, uma qualquer que só existia nessa esquina e debaixo daquele sol. Um sol que me faria estar perto de mim. Perto daqui mas longe de uma infância perdida que o medo arrebatou. Sempre pensei que aquele dia nunca chegaria. Mas ainda hoje me lembro daquele sol da manhã, junto à esquina e à parede amarela. Ainda dependo dele.

Ao som de The String Quartet Tribute "True Faith"

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