abril 26, 2007

Arrepio meio nocturno


Descalço, prolongo a vontade de uma parede em falso, rebolo nas luzes os vestígios juvenis e sorrindo deixo-me envolver, permito que me subtraiam as agulhas e os pólens que neste corredor não me fazem falta... que os escondam longe, que os tornem mistérios por resolver. Devagarinho, fecho os olhos, levanto-me e rodeio a minha sombra com rodopios, cabriolando o tique humano, soltando-lhe as feras do impulso, com dentes de luar.
Ao tecto, aos rodapés, à ameaça e ao relógio, apenas um conselho: esqueçam a corrida e a chegada. E com um beijo, mantenham a chama acesa, mesmo se olímpica.

Ao som de Blueboy "Popkiss"

2 comentários:

Anónimo disse...

Descalço, só mesmo descalço se prolonga a vontade de uma parede em falso, não existe mesmo outra forma. Devagarinho, sem grandes espalhafatos, esperei por mais um post. Os outros já os raptei, fazem parte do meu património, são meus, mas como qualquer dependente de substâncias alucinatórias fico faminta por mais.
Qunato a luz que arde sou dada a queimadas, natureza complicada portanto para seguir as regras de lumes mais calmos e sensatos.
maria joão

Anónimo disse...

Descalços

Ela descobriu muito tarde no tempo e em má hora que os afectos também podiam ser teatralizados. Porém alguém lhe contou que só descalço se prolonga a vontade do desejo, com os pés nus bem assentes no pó da estrada, dedos espalmados de macacos trepadores. Nem sempre se pode fazer batota, existem leis superiores nos colinhos humanos, e ela voltou a acreditar na verdade dos sentimentos. Descalça, porém com o dedo mindinho encavalitado, podia o diabo tecelas agradeceu o conselho.

Maria João