abril 27, 2007

Homenagem geométrica

Em vez de uma lista de compras ou dos dez qualquer coisa que se levam para uma ilha deserta, eis-me aqui pronto para o que der e vier, ilusionado por imagens a cores ou preto e branco, sem saber as verdadeiras e as de encantar, rosto na janela do primeiro andar, mãos a restolhar nas persianas com pó, ouvido nas danças da chuva sem as saber cantar, olhos na esquina do quiosque e na berma do rio quase mar.
E de tarde, nos limites de qualquer ilusão reencontrada na parte da praia em frente ao hotel, com o matraquear da máquina de escrever e algum telefonema fora de horas, olhos a setenta e tal graus, na parte esquerda do jardim onde se arrastam os outros tempos e se escondem os caminhos encadeados da descoberta.
E de noite, com os sussurros de um dia que termina, os candeeiros acesos em surdina, a névoa perigando o catarro, os faróis entremelados em linha nem sempre recta, os degraus que dão para dois mundos, as três voltas da chave e uma subida feita costume onde a curva é dia, tarde e noite num remoínho só.
De rosto na janela do primeiro andar, com o barulho de fundo do que se vive devagar, o carro estacionado junto ao passeio e a luz no primeiro andar, retomam algum calor de concluir tudo estar no seu sítio, repetição aconchegante e morna de dois mais dois continuarem a ser quatro

Ao som de Ashra "Blackouts"

3 comentários:

Anónimo disse...

Fantastico, lindooooo, este vai ser raptado. Quero mais. :-)
maria joão

Anónimo disse...

Vou sair, passar o fim de semana fora, levo uma colecção de posts teus para ler com mais cuidado, fazem um belo livro, Quando regressar actualizo a minha leitura, e tiro a barriga de saudades.
maria joão

Anónimo disse...

:-(