abril 27, 2007

Nomeações

Nascimentos regulares tomam as linhas das peças seleccionadas ao acaso, no xadrez de mármore da entrada. Por cada xeque mate, deduzem-se as despesas da lavandaria e dos projécteis. A primeira bebida da noite é obséquio... todas as outras incluem vítimas. O gelo é pago ao valor de fecho do mercado. Só são elegíveis corpos de fato completo. Escuro. Qualquer vestígio de cinzento é condenado com pena capital. O executor de serviço deve preencher os formulários devidos, de baixo para cima. Qualquer resquício de frio deverá ser comunicado à comissão de festas.
E agora que todos estamos entendidos...

Ao som de Borghesia "Ohm Sweet Ohm"

5 comentários:

Anónimo disse...

Fura festas:
Não aceito as regras do jogo, sou Torre vou de branco ou como me der na real gana e faço rock, ou um Peão que trespassa o tabuleiro e se converte em Dama, sou a peça que muda de forma e lugar como um caleidoscópio, seja lá como for recuso-me a ser colocada numa caixa junto de bispos, cavalos e damas. Apenas subscrevo a temperatura ambiente. De resto quem deve temer o executor de serviço é o Rei preto ou branco tanto faz. As regras do jogo mudam, mesmo quando se quer controlar todas as variáveis.
maria joão

Anónimo disse...

As regras dos meus jogos são sempre de aceitar... pelo menos por mim...

Von

Anónimo disse...

Não há nenhum jogo que eu tenha entrado em que as regras não tenham mudado e juro que nunca faço batota, bluff sim e com muita arte.
Maria João

Anónimo disse...

"Depois do baile acabar

Quando a chuva se acabar, quando as nuvens se fartarem da morada, depois de algum percalço menos medido, não restará mais que a última direcção. Já experimentaste todas as outras? Sabes onde acabam?
Eu, por mim, sentei-me durante dias na encruzilhada. Pensei nas direcções, onde terminavam, quem procuravam nas bermas cheias de pó e erva, em que casas passavam a noite. De vez em quando levantava-me e punha-me a caminho. Antes do fim, voltava para trás. Aprendi as respostas sem ter de conhecer os pontos finais. Percorri todas as direcções, menos uma. Percorri-as até antes do fim. Nunca cheguei a saber se o fim estava perto. Sabia que estava lá, e isso bastava-me. Percorri-as todas, menos uma. Não a escolhi por acaso. Tirei-lhe medidas, pesei-a, observei-a de perfil e dos outros ângulos também. Não lhe dirigi palavra. Percorri-as todas. As outras. Quando regressava delas, sentava-me no mesmo sítio e esperava a resposta. Sempre sem conhecer os pontos finais. Não me fazem falta. Quando anoitecia, puxava do meu lenço, abria-o e com o cuidado de quem conhece as respostas, pegava num bocado de laranja e comia descansado.
Passou-se muito tempo, desde estes dias. A encruzilhada está mudada. As direcções já são outras e as respostas também. Dos pontos finais, não ouço falar há muito. Como não gosto de máquinas, deixo-me ficar sentado à espera de voltar a precisar dos meus passos. Antes não. Ainda tenho alguns gomos de laranja.
"
Regras do jogo....se for esse...

maria joão

Anónimo disse...

Aceito essas regras, também sei ler os sinais inscritos nos gomos das laranjas (sem ponto)
maria joão