maio 31, 2007

Matutina

Os brancos e as cores da laranja,
moldados em suspiros luminosos
de sal e de espuma;

uma onda
sempre a mesma,
redonda
a mordiscar a pele.

Os brancos e as outras,
despidas em si mesmas,
esquecidas dos olhos
que as provam em pequenos sorvos demorados,
fiéis ao desígnio
de serem brancos e cores de laranja,
como um sabor a madeira
que prolonga a língua.

Os brancos e as invejas cor de rebuçados,
camélias encostadas à varanda,
onde os cabelos respiram
e se entregam.

Os brancos,
desmaios na vontade;

deitar a cabeça e cheirar o que ficou do mar.

E nesse mar,
vazio,
um outro branco ou amarelo,
motiva o rigor de voltar amanhã.
De preto.

Ao som de Area "Michael Writes His Parents"

1 comentário:

Anónimo disse...

Ao ler o teu poema fui transportada para a praia, qualquer uma em dia de levante, ondas brancas para limparem a alma. Absolutamente magnifico.
maria joão rendida