maio 17, 2007

Não penso morrer tão cedo

Tinha pensado em escrever algo entre o racional e o filosófico, algo de ensaio, de observação, uns pózinhos de crónica, outros de visionário, uma direcção do sentido da vida. Em vez, saiu isto.

Elementar este desejo de molhar os lábios, e só ao de leve, deixar um beijo resolver o momento. Replicar o soturno na preguiça, oferecer-lhes avelãs e bagos de mel, sorrir absorto entre o tecto e o lado de fora da janela, cair em tentação. Na canção, partilhava uma lembrança que não me recordaria nada, apenas por ignorar os calendários e as caras que já nem me lembro. Só o murmúrio de uma página de um livro juvenil, onde rebusco vagares e sossegos. Tal como num vapor de água, sou egoísta e recolho os pontos luminosos um por um, sem os apresentar, seguro de uma ignorância que os reuna e lhes entregue razão. E em cada ponto luminoso, reconheço um atalho ou uma estrada longa, uma encruzilhada ou um areal imenso. E em cada um, uma mão cheia de segundos, que trocarei por um beijo, um sussurro e a permissão de repetir a canção até ao amanhecer.

Ao som de The Curtain Society "Kissherface"

2 comentários:

Anónimo disse...

Não trocaria o teu texto por um beijo, bem, não vejo no meu mundo nenhuns lábios míticos redentores capazes de resolver os momentos, mas a tua escrita resolve...resolve… :-)
Beijo Maria joão

Anónimo disse...

Reparei que retiras-te os últimos posts, não os deites fora, não os anules, não os copiei e tive pena, e amei o "seda" se tiveres a amabilidade envia para o email do meu blog.
maria joão