junho 02, 2007

Percepção

Devagar. Como se fossemos sacos de chá, mergulhados em banhos mornos. Submissos a uma varanda acariciada por cachemira, seguindo um rasto de canela como se fosse pólvora, sinuoso, incinerado por golfadas de mais e mais, enquanto a lua não sabe o que fazer. Por entre as árvores o ar repete jogos, sopros murmurados de perto, indiscrição madura de onde resvala a pele de cerejas inocentes. Na pausa e no recesso, convergem fios que o sono deixou esquecidos. E em vez de objectos e artefactos, onde as peças de tecnologia são ínfimas, degraus são altar que repelem religiões, espécie de virtude por inteiro, púnica no alheamento e segura na separação. Encostado a uma parede, está um biombo. Atento e intento. Em prolongar.

Ao som de... não digo

1 comentário:

Anónimo disse...

com o consentimento de uma lua que se quer preguiçosa. As tuas teclas são degraus que me aproximam de algo intangível, irrefutavelmente da esfera do sagrado, crias-me através dela uma nova fé. Deixa ficar o silêncio apenas quebrado pelo som dos teu teclar, por mim é bastante.
Maria João em dia de lua cheia