junho 12, 2007

Videiras e sultanas

De longe,
num repente de causa incolor,
existe a descoberta de um céu vagaroso,
onde
um quarto de hora
é beijo
e é tempo.

Travo a travo,
surgem palavras asteadas,
jogam-se cartas na Bretanha
e graceja a subtil entrega.

Com sotaque a limão e gengibre,
regressa a canela ao marfim.

Entre orações,
as ameixas adormecem fatigadas.

De retorno aos caules,
atento à poeira e talvez benvindo,
um vento velho conhecido
preso por cordéis ao paladar,
desagua a espuma de uma onda
sem ter mais nada que lembrar.

As cores encostam-se ao dia.

E sorvendo os restos de vida
que se deixam para trás,
um homem de idade.

De olhos abertos.

Ao som de In the Nursery "Days Of Freedom"

2 comentários:

aliança disse...

que belo entardecer!só falta um barulhinho do mar, através de uma janela de madeira azul clarinho e seria a perfeição

Anónimo disse...

Palavras asteadas ao vendo, como estadartes. Magnifico, de uma tristeza doce.
maria joão bebendo palavras