agosto 31, 2007

11:47

Entre o lentamente e o necessário, os meus olhos vão-se fechando. Num absurdo de sol lá fora e luz eléctrica acesa, o pó por limpar, antecipações à espera de um esforço final, papéis que dobram a sua importância cada dia que passa e compromissos que se vão cumprindo sem o rasgo final, tudo gira à volta de células que se atropelam. Decidem-se direcções e nunca se sabe por onde começar, mesmo quando o óbvio se senta muito calado e atento defronte dos olhos. Num mesmo tempero, a imobilidade, pitadas de objectivos, um cálice de licor agridoce e um permanente fio de procurar as coisas nas novas prateleiras, mesmo quando nem sequer sairam da loja. Mesmo quando ainda não se conhece a loja.
Aumenta-se o que deve manter-se pequeno, os rios tornam-se ínfimos, o sol troca-se por qualquer luz eléctrica e nunca se retira a água limpa do poço. Os copos de água repetem-se turvos e as manhãs não passam de blocos de cimento que alguém colocou apenas porque sim, ou por ordens superiores, mesmo quando inúteis ou ridículas.
Deus continua a divertir-se com o seu humor negro, o diabo ri a bandeiras despregadas e todos os outros, os que valem a pena, esqueceram o gesto do sorriso.

Ao som de The Bolshoi "Crack in Smile"

3 comentários:

ALIANÇA disse...

as manhãs... e as tardes.Parecem peças de um puzzle inca, agrupadas sem suporte aparente.

Peach disse...

Já vai longa a tua pausa :))


beijo

Anónimo disse...

Está lindo, o teu blogue... Grande, enorme upgrade! Beijo e parabéns, Rita Ferro