agosto 24, 2007

O melhor dia de Verão

Os olhos húmidos de um lilás esmerado reconhecem separações e justificam desertos. Nas multidões, passar por entre estacas e animais, uns à solta outros em liberdade nas suas jaulas, por muita imensas que sempre pareçam, é resolver um caminho de atrasos e figurantes empenhados em protagonismo. Ser real e já nem existir.
No final do filme espera-se a ficha técnica, e os pós de vaidade misturam-se com quem procura o nome da canção que trará o sorriso, aqueles três ou quatro minutos de uma paz que só existe no ecrã ou nuns olhos balançando no mar.
E na rua já anoitecida ou numa varanda cheia de sol, desejam-se cúmplices ou palavras, pares de trunfo teimando não surgir aos pares.
Explicar? Deduzir? Compreender?
A beleza, a ternura, a tristeza e a humidade daqueles olhos de um lilás, estão sempre escondidas em canções.

Ao som de Legião Urbana "Quando O Sol Bater Na Janela Do Teu Quarto"

1 comentário:

aliança disse...

um lilás é uma flor delicada, que não pode ser tocada porque fica engelhada, e eu pessoalmente associo sempre esta flor á uma tristeza melancólica.