janeiro 04, 2011

Dia 4

Vontade de mergulhar nessa tua nudez. Sentar-me ao longo da rua onde vives, levantar os olhos a todas as janelas e adivinhar onde te sentas. Voltei a sentir, sabes? Voltei desse litoral onde cada passo se afunda. E aqui, na tua rua, voltei a sentir-me como antigamente, sentado no degrau, encostado à porta da garagem, segurando o sol e a lua com as duas mãos. As mesmas mãos que preciso para te segurar e te sentir a vontade. E ao saber-te, ao reconhecer a janela onde sentes a noite no vidro, encolho os ombros à sentença de escolher entre o dia e o luar. Abro as mãos e deixo escapar o sol e a lua. Visto o sorriso que trago sempre no bolso e corro rua abaixo atirando as mãos bem alto, num movimento descomunal de entrega. Desejo que me tenhas. E desejo-te ao longo da rua onde vives.

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