janeiro 03, 2011

À porta do museu

Deixei-me nas ruas e nos recantos onde os degraus afinal são maiores. Fiquei colado às portas giratórias, meias vidas de dentro e fora onde o cheiro da comida é mais forte que o frio. Esqueci-me das palavras que sempre soube, viradas em consoantes e esgares de um novo que recorda dias sem meio nem fim. E depois veio a chuva. E as ondas tornaram-se maiores. E o areal mais claro. E eu, encharcado pelo dilúvio, marquei este momento para sempre, um minuto maior que os outros minutos, uma viagem de barco rumo ao outro lado, embarcadouro cheio de casas e cansaços, pai de dois filhos regressando de uma miragem. Ao longe, depois das luzes e hipnotismo de sonhadores, ficaram os degraus. Afinal os degraus são maiores. Como o são as fileiras de janelas e as linhas rectas. Como o desejo de uma árvore em cada esquina, e descobri-las a todas junto ao lago.

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