fevereiro 11, 2011

Depois do entardecer

Moro à beira de uma estrada poeirenta, onde as pedras se estilhaçam nesse asfalto cor de vinho. Moro aqui uma noite por dia. Não gosto de atilhos, e desses, tolero apenas os das prostitutas mexicanas. Todos os dias compro uma marca diferente de cigarros. Nos dias que me obrigam a repetir, morro duas horas. Quando chegar às 24, irei sem azedume. Talvez agridoce, mas de sorriso e dedos em formato de bênção. Todos dias, e noites, pergunto a alguém o meu sentido. O meu lado da vida. Já consegui mais de mil respostas aceitáveis. Todos me conhecem melhor e eu minto tanto. Também já consegui duas ou três, quatro, respostas perfeitas. Foram as rodadas mais aconchegantes deste lado da estrada. As dezenas, talvez mais, que resultaram em interjeições mudas, provaram saber a verdade. A verdade, essa incongruência de fios de seda sempre em cor desmaiada. E conheço tantos mentirosos. Criativos, de camisa desfraldada, cabelos desgrenhados seja a direcção do vento. A verdade e a mentira, em copos sujos e noites compridas sem perdão nem amor. Uma paixão por dia. Uma entrega animal cada noite. As vozes roucas sugerindo cadências e gritando peles suadas, por um prazer sempre mais e mais, até aos momentos do altar. Nunca praguejo na minha língua materna. Porque insultar os deuses soa-me melhor na língua local. Fuck.

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