fevereiro 20, 2011

Foi e volta a ser

Sobejam-me criações alheias, pedidos de casamento fúteis e ultrapassados, dogmas perdidos à beira-rio, leito de cais assoberbados, fiéis a pastos de contentores e cantores gastos de um punk antigo. As coisas já não são como eram. Mistificaram-se para o lado errado da rua. Estava à janela, depois varanda, e via-as passar de saia curta e cabelos ventosos. E era a rua, aquele bocado de bairro, segredo de cidade menor que um fósforo, afinal o meu pastel de açúcar de pasteleiro. Tão fácil, mexer no mesmo panelão sementes de uma industrial evidência e os pequenos dramas e sorrisos desse segmento de recta torcido a meio, onde pessoas de verdade existiam e sabiam disso. Hoje não as conheço. As que sobraram, se sobraram. Mas chegaram outras, tão reais como as que partiram, descendentes justíssimas das de então. E eu sei, eu era uma delas. Delego nestas o que soube e a que sabia. Desejo só que agora se aprendam sabores e se reconheçam cores e copas de árvores.

Sem comentários: