fevereiro 27, 2011

O café fica para mais tarde

Na teoria esta escrita devia ser nocturna, da mesma maneira que acendi um fósforo com o isqueiro à beira da mão direita. Como este detalhe que seria desenfreado se a pressa me manobrasse a tarde. E não manobra. Insisto em fumar estes cigarros de puta como se quisesse sentir alguma coisa nova. Perdi o hábito de fumar cigarros, trocando-o por outro mais subtil, e lá voltei, mesmo que a espaços, nesta bizarria de cigarros finíssimos no lugar de Lucky´s. Só gosto de cigarros de filtro branco. Aquele castanho no mesmíssimo sítio onde é suposto fechar os lábios mexe-me os nervos. Ou sobretudo a estética que me define cada prazer. Gosto dos primeiros instantes de um cigarro mal apagado no cinzeiro. Depois, enerva-me. Gosto da lentidão do primeiro fumo. Gosto desta penumbra. Não gosta da palavra. O p não deixa filtrar essa claridade aveludada que se entranha nesta calma escurecida. Há tanta nuance em cada gesto ou memória. E esta tendência inocente de levar a memória ao passado, quando afinal ela distingue o agora e o a seguir. Se estivesse no meu bairro, nessa língua de espaço onde sei que pertenço, estaria sentado à janela, num poleiro de estrangeirismo, embalado por um disco e um cigarro. Embalado por um céu e uma rua. Na oscilação de ser e querer.

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