fevereiro 20, 2011

A primeira à direita antes da esquina

Mas voltando à vaca fria, enfim morna, pois em mim estas latitudes não esfriam, que dizer da barbearia e dos vizinhos do lado. Que estão muito bem e se recomendam, por oposição a uma mentira que se deseja fresca e de cânones confirmados. Saiam de olhos ensonados e mãos arrefecidas pela friagem, ou então isso era na cidade grande. Confundi-me no mapa. Para norte então. Saiam sim, todos os dias, mas de mãos nos bolsos, com a confiança de uma míngua de alternativas, cientes do lugar de cada um e para o que estavam. Era simples. Um era barbeiro, outro trabalhava nos correios, outro ainda caixeiro numa loja de fazendas. E o primo que ainda era guarda-nocturno e zelava pelo sono de todos. E o oficial do exército que andava de vespa, a senhora do quiosque versada em política, um ou outro bêbado de estimação e o guarda-livros de cigarro aceso e rádio a pilhas no bolso do casaco. Muito mais que um par de vizinhos, menos que uma cidade inteira, a suficiência de um cais onde aportavam barcos de pesca e o vai e vem de tudo um pouco, onde pouco era não querer fazer parte.

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