fevereiro 28, 2011

Terrorismos e outras formas de arte

Viajamos por decisões que a tecnologia tomou por nós. Deslocamos as pedras sem esperar pelos rastejantes que nelas se ocultam. Quem descola as pedras onde nos escondemos? Olhamos em volta de ouvidos muito abertos e deixamos cair os ombros. Há quem rasteja à volta dos nossos pés e viva em pedestais de quilates que não sabemos sequer imaginar. Dizem-nos as regalias das austeridades e do esforço comum. Ensinam-nos palavras compridas e se procurarmos em todas as bibliotecas de Alexandria, não encontramos significados, só poeira que insiste em não assentar. Somos informados de cada morte, de cada disparo, de cada edifício que se desfaz por uma natureza cada vez mais artificial. As canções, já nem os nomes decoramos. As senhoras e os senhores que nos matam todos os dias também têm filhos e filhas e animais de estimação. São senhoras e senhores que matam os seus próprios filhos, que violam as suas próprias filhas. São senhoras e senhores que convidam outras senhoras e senhores para jantar os seus próprios animais de estimação em fricassés complicados. Somos proibidos de decidir. Não conhecemos o dia de amanhã. Sabemos apenas que cada avião irá aterrar se a decisão de alguma senhora ou senhor coincidir com o horário previsto. Senão, o capricho chamar-se-á atentado.

Sem comentários: