março 12, 2011

Estuque

Sei todas as coisas que o prazer pensa. Sei por uma noite quase manhã, à beira dessa ponte de salto fácil, junto a tais candeeiros dourados, culpa sombria ao alumiar assassinos e poetas. Sei ignorar os sinos quando me chamam para a culpa. E sei se a vergonha me atrasa os passos, ou quando a porta de fecha antes da minha estocada. Sei em cada possessivo meu, em cada mentirosa minha, todos os filamentos que fragilizam cada dia. E sei todas as orações e todas as blasfémias, talvez por se lerem na mesma página. E tarde, já tarde, percebo então o limite e o acolhimento desse sorriso roubado. Tão tarde que as razões já se encontrarão exangues.

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