março 13, 2011

A face de outro recém nascido

Parto para o amor, para esse fulgor de ser vivo, mais do que estar. Agito este meu corpo cansado à cadência desse poder no escuro, onde ser cru é manter vigilância. Não importam as pausas, convertem-nos à divindade que descobrimos em becos pintados de negro. Hesitamos entre o grito e o berro. E essa dúvida por respeito ao momento. Essa criminosa gota de água que só se bebe uma vez.

Dia seguinte, manhã atingida pelos filamentos fundidos da noite que a antecede. Cada dia é decidir o seguinte. Se, seguinte. Tudo parece mais pequeno, menos formal porque aqui também existem beijos e abraços. Uma chávena de chá frio, o pão que alguém deixou por um encolher de ombros, a medida de subtrair o credo, a lembrança de uma casa algures, um céu diferente de cinzento. E nesse mais, ou algum, o poder efémero de se ter alguma carícia.

Indiferente, fecho a porta deste destroço, desço as escadas destruídas por anos de inércia e junto à entrada esqueço-me de todo o antes.

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