março 12, 2011

O céu, aqui

Há uma chuva por cima da muro,
perto do oceano,
longe do destino,
cama de areia que me veste,
que te embala,
motivo para sentir
mão na mão,
credo na língua
e visitação de algo nobre,
perdidos na costa,
por cima do muro,
crivados de balas
enquanto se cantam profundidades.

Há uma chuva por cima do muro,
o bastante
para se agitarem bandeiras,
todos os panos
de todas as agitações,
batalhas forjadas
em beijos colhidos no centro da tormenta.

Há uma chuva por cima do muro,
por saber
e imaginar,
que ao longo do cais
existem todas as chuvas do oceano.

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