março 13, 2011

Por tanta fé que encontrei

Recebi um encanto adivinhando o jardim e o labirinto, entardecer sereno de todos os mansos que herdaram a terra, a de alguém, a que ficou perdida em ruínas de falta de querer, lonjuras desses lugares pios onde se altiva o saber, orando a horas certas, quando certa é a ceia e mais nenhum nenúfar. Nessas pedras onde se repousa a penitência, já ecoaram queixumes e cordas de pescoços vincados. Já existiram dias e noites, hábitos e pachos de medronho, olhos piedosos de soslaio nas torres da indiferença. Os peregrinos sabiam o meu nome, o meu bordão, conheciam os brindes que fazia noite alta, a quem ofendi e os hereges que queimaram em meu nome. Viram-me abandonar o poiso, e de longe acenaram-me para que me voltasse e retribuísse. Nunca o fiz. Preferi perder-me nos trilhos que me levam ao mar.

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