março 01, 2011

Sugar Kane

Lamento rosas e ramos ressequidos por deixar os elementos regular os passos e todos os açucares deste mundo. Escolhem-se títulos, etiquetam-se os amanheceres e as noites tardias, como se não houvesse um fio condutor entre ambas. Abre-se o frigorífico e os dedos gelam. Estendem-se os dedos ao sol e recupera-se o morno de um nascimento ao fim da tarde. Devia-se construir uma rua entre as maternidades e os cemitérios. E depois... E depois, cobrir o asfalto com terra fértil e adubos naturais. E depois... E depois, cresciam fios de relva onde cada tom de verde seria um arco-íris reinventado, onde os meus filhos se sentariam. Onde me sentaria com os meus filhos. Onde, de sorriso aceso, confessaríamos amor eterno, como as paixões dos livros e das histórias de lenda. E sempre que me picar num espinho de rosa, recolheria essas gotas de sangue e regava a relva com ele. Até as rosas se mostrarem tão vermelhas como a minha relva.

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