abril 01, 2011

Rádio silêncio

Limitar os danos sem ferir qualquer alma cadente, é o aviso que se pode ler à porta da surpresa. O telefone toca e algures um concerto com guitarras e sintetizadores passa pelos desprevenidos. Comprei uma vez num antiquário a vontade de ouvir demos de canções. Descubro-lhes os panos que as tapam, e por baixo dessa fina e crocante placa de caramelo, o creme que me adoça. Ora, tudo o escrito pode não colar, nem ser a guarnição perfeita para o Wellington, mas a baunilha, afinal, casa qualquer manhã de sol. E das outras... As murchas ou as cor de hortelã. Logo, a lógica serve-se em fatias finas, de corte italiano, eu que me prometi pastrami e faltei à promessa. Já o tinha feito com cachorros e hamburguers, e halls art déco, como se as juras fossem cobertas por açúcar finíssimo, o pó de Pirlim Pim Pim dos sentimentos infantis. Longe é uma palavra tão longe, mesmo se em cada aeroporto existam destinos como gomas em compartimentos transparentes. Prefiro as cor de laranja, por essa mesma razão: cor de laranja. Tanto pode ser um pequeno passo para a estrada que termina no fim dela própria, porque sempre lhe conheci vida própria, e aqueles tufos de ervas abanando ao vento, tanto de manhã cedo como ao fim da tarde. Perdi a conta às vezes que chamei este canto perfeito. Sempre convencido que não o era, e por isso mesmo, perfeito. Cheguei a morar ali. Agachado na areia, encolhido de encontro a uma duna. E fui soprado por esse fio de prumo, nunca vertical, que tem filamentos de felicidade. De toalha presa ao pescoço e volante nas mãos, como se adulto fosse a criança para se ser.

Sem comentários: