agosto 16, 2011

Vamos

Penso nessa "gente linda", nesse buraco debaixo de chuva onde a selva se permite um fôlego e os passos ainda se enlameiam. Nunca soube o que era viver difícil antes de aqui chegar. Nunca soube, nunca senti na pele esta humidade que não desaparece. E ainda assim, os sorrisos são dos mais bonitos que conheci. Quero sentar-me à mesa e comungar, beber do que bebem, tocar os ombros nos ombros ao meu lado e dizer: aqui estou. Porque aqui estou, sem miragens nem ideias concebidas sem pecado. Deixei-as todas no avião. Trouxe uma mochila encharcada e dentro, sem meias palavras, os restos de mim mesmo. E imagino deixar em algum lugar o resto, o outro resto. Ficará esta "gente linda" e o que de mim puder ser bonito.

1 comentário:

Anónimo disse...

Era revolucionário. Não o confessava nem às paredes. Mas era. Vibrava com o encarnado em domingos de sol, mas era de vermelho que o seu coração se vestia. Nos seus fins de tarde de grelhador, cozinhava a ambição de dez mil bifanas na Festa do Avante. Sonhava com o discurso franco e proletário no almoço do 25. Olhava de longe a seara e sentia-se camarada. E de cerveja na mão, cabelo ao vento e punho no ar, bramava a plenos pulmões: Vai Mantorras, vai...