janeiro 11, 2012

Cruel

Entre algo de Índia e o betão algures em L.A., estou ciente de ruas pejadas de prédios centenários, tijolo bem à vista, árvores imaginadas à distância de 12 metros cada, mais bares do que se possam beber e uma fauna mais intensa que mil Áfricas. É cruel este mistério do vazio entre dois pontos, o tal segmento de recta, ou um mutante pois descrevem-se demasiadas curvas para unir dois pontos. E mesmo chegados a essa facilidade quase extrema de encomendar o futuro no próprio dia, existe um pegajoso limite entre o impulso e a consequência, travão orgânico de tonelagem insuportável. Num mundo decalcado do pior entre os maus, a sede de sentir o bolso cheio determina o passo seguinte ou o pé descalço mesmo calçado. Aponto através da mira, viso variados alvos numa furiosa carnificina enternecida por um dia de sol ou um café que prolonga o palato. E embalado, desprovido de crueldade suficiente, espero a próxima carruagem, mesmo se tiver no bolso a chave.

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