março 09, 2012

Do último degrau vejo o teu primeiro dia


Morno. Muito morno. O confesso vagar, perdido em ruas alinhadas onde me desalinho, onde me deito, me banho, suspendo a condição de pessoa e torno-me gente, árvore, escondo uma guloseima no bolso, sorrio antes de verter alguma gargalhada que me escorre a cara e cintila os olhos, ganho vontades de menino apesar do tom grisalho que gosto de olhar. Morno ao pisar cada centímetro, ao pormenor geométrico de algum recanto, o recorte do sol nos degraus, deuses e deusas que se escondem por detrás das janelas, tentando na penumbra actos divinos que só eles querem. Sou suave e rouco ao mesmo tempo, essa medida antiga dizendo os números e gastando os soalhos, mesmo se os lençóis saibam apagar as rugas, os minutos e algum ontem tresmalhado.

Sem comentários: