novembro 26, 2012

Ficção não ciêntifica



Seremos as vozes e os lamentos, as discórdias e todos os muros, os tijolos que construiram os fornos e as pás que recolhem as cinzas. Seremos o restolho e a colheita, por essa ordem, porque a numeração está inversa, endemoniada ao serviço de aritméticas perversas por resultados plurais. Seremos autónomos na cólera e na malária, ou cobertos de escamas num cretáceo fabricado com fibra óptica e roldanas. Seremos gritos, submissões, copos cheios e nódoas. Seremos as flores manchadas, arranjos perfeitos de bombardeamentos com hora marcada. E nas reuniões, entre calças vincadas e risco perfeito nos cabelos, surgirão debaixo das mesas, centopeias com viscosas decisões. Seremos então, fósseis.

1 comentário:

Anónimo disse...

Antecipação?

(Os riscos perfeitos nos cabelos das calças vincadas, nunca me transmitiram muita confiança;-)

A (outra vez 'moi';-)