dezembro 05, 2012

Deste lado do paraíso

As moedas guardadas e repetidas, os corredores, as circunstâncias, desmaiadas no sentido descendente da incúria. Os elevadores, as portas fechadas e abertas barafustando filamentos, os dedos indicadores espetados na certeza e no vazio. Deste lado as gaivotas falam, salpicam de leve cada manhã, substituem-se aos deuses que dormem. Do outro lado, o sono acordado é hipnose e logro. O cansaço. A promessa do jardim se prolongar até à ponte. A bicicleta sem travões descendo a rua dos encontros. O linho desfiado, essa personagem, meia miragem, encerrada em livros de lombada descomunal onde se arrumam antigamentes. Deste lado, à guarda da poltrona, folheando vagares, as moedas sabem a rebuçados, os corredores parecem passagens secretas e as circunstâncias são apenas atacadores desapertados.

1 comentário:

Anónimo disse...

O jardim prolonga-se até à porta. E na bicicleta sem travões, vou eu.

(Existem 2 moedas iguais? mesmo, em cada um dos lados, do rio, ou dos mundos)

Um texto que se entranha. E não sai.
A.