janeiro 27, 2013

Cinzento cor de rebentação



Conheço-te de antes, de um pergaminho com cheiro de matiné, de um volteio onde se nada e se perde, chuva torrencial que marca a areia como ferro em brasa. Perdoo-te, sei que um dia me esperaste, um dia só, vestida nesses folhos que te decidiam a palidez enquanto eu, amordaçado, recitava papéis de pele macia e sabores de laranja e baunilha. Depois rodopiava, ou pensava que era capaz. Quando anoitecia, passo depois de passo, encaminhava o isolamento para um quarto onde a porta não fechava. Adormecia com algum frio. O que restava.

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